Conceito de Solidão

by francisca | helena

A solidão é um sentimento. Sentimento esse que é experienciado por pessoas, todas elas com personalidades, trajectórias de vida, expectativas e convicções diferentes. Como tal, vivem a solidão de formas diferentes. Deste modo, a própria noção de solidão varia de indivíduo para indivíduo, tanto que mesmo os autores que estudaram esta temática deram a sua própria definição do conceito. Assim, concebemos a solidão como um conceito sensibilizador, pois não possui uma demarcação clara e objectiva, como perspectivou BLUMER (MACHADO PAIS, 2006).

Ora, de acordo com o Dicionário de Houaiss (2003), solidão diz respeito à “sensação ou situação de quem vive afastado do mundo ou isolado do meio de um grupo social” (cit. por FERNANDES, 2007). Já no ponto de vista de NETO (idem), a solidão trata-se de uma “experiência dolorosa que se tem quando as relações sociais não são adequadas”. Para outros autores, a solidão deve ser encarada como uma insatisfação com a quantidade e qualidade dos relacionamentos da pessoa.
ERNST e CACIOPPO (1999) consideram a solidão um sentimento reaccionário à ausência de intimidade e necessidades sociais; enquanto que HAZER e BOYLU (2010) descrevem a solidão como um sentimento de isolamento relativamente a outros indivíduos, independentemente de se estar fisicamente isolado ou não.

Desta forma, encontramos três características presentes na generalidade das designações: a solidão é uma consequência dos défices sociais do indivíduo; a solidão é um sentimento subjectivo, afastando-se por isso da noção de isolamento social; e por último, é um sentimento negativo e desagradável (PEPLAU e PERLMAN, 1984).

Partindo destes pressupostos, concluímos que não é do nosso objectivo inferir sobre a solidão voluntária, aquela almejada para efeitos de reflexão e criação artística. Pelo contrário, interessa-nos apenas a solidão enquanto dor social (CACIOPPO, 2008), isto é, a solidão como insatisfação com a quantidade e/ou qualidade dos relacionamentos sociais do indivíduo. Por vezes, a solidão é confundida com isolamento social, mas ainda que estes dois conceitos possam estar relacionados, não são equivalentes. Concebemos isolamento como ausência de rede social, situação que não implica necessariamente “dor social”.

BIBLIOGRAFIA:

CACIOPPO, JONH T. & ERNST, JOHN M. (1999) Lonelyhearts: Psychological perspectives on loneliness. Applied & Preventive Psychological 8: 1-22. Cambridge University Press.
CACIOPPO, JOHN T. & PATRICK, W. (2008). Abrir a Porta – A importância do afecto e da sociabilidade na nossa vida. Estrela Polar. Alfragide, Lisboa.
CASTRO, CELSO. Homo solitarius: notas sobre a gênese da solidão moderna. Interseções- R.de Est.Interdisciplinares, Rio de Janeiro, v.3 , nº 1, p.79-90 , jan./jun.2001.
FERNANDES, H. J. Solidão em idosos do meio rural do concelho de Bragança, Teste de Mestrado em Psicologia do Idoso, Universidade do Porto, Porto (2007).
HAZER, O., & BOYLU, A. A. (2010). The examination of the factors affecting the feeling of loneliness of the elderly. Procedia – Social and Behavioral Sciences, 9, 2083-2089.
PAIS, JOSÉ M. (2006) Nos rastos da solidão: Deambulações Sociológicas. Ambar, Lisboa.
VÁRIOS, (2002) Dicionário de Sociologia. Porto Editora, Porto.